Jardim de Pensamentos
Doce e amarga, ao mesmo tempo. Você não é obrigado a gostar, de maneira alguma. Mas esteja à vontade para seguir, reblogar, ou fechar a aba e esquecer que já esteve por aqui.
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March 20th
20:55

Sinto gosto de lágrimas quando tudo o que eu queria era sentir o seu.

February 24th
13:39

Quando Tommy voltou sorumbático para casa, um pouco depois, Rudy experimentou o que parecia ser uma nova tática magistral.

A piedade.

Na escada, investigou a lama que secara como uma crosta sobre o uniforme e lançou um olhar desamparado a Liesel.

- Que tal, Saumensch?

- Que tal o quê?

- Você sabe…

Liesel reagiu da maneira usual.

- Saukerl - riu, e percorreu o pequeno trajeto para casa. Uma mescla desconcertante de lama e piedade era uma coisa, mas beijar Rudy Steiner era outra, inteiramente diferente.

Com um sorriso tristonho na escada, ele gritou para a menina, enfiando a mão pelo cabelo:

- Um dia - alertou-a. - Um dia, Liesel!

12:52

Aí você gosta de alguém que não te gosta da mesma forma, mas ela não sabe que tu gosta dela, daí tu fica pirando e pirando e pirando e nunca sai do lugar por falta de coragem ou sabe-se lá o quê.

February 19th
19:57

19.2.12

Por algum motivo, não costumo visitar minha avó. O engraçado é que ela mora bem ao lado da minha casa. Hoje comemoramos o aniversário dela. Eu não sabia ao certo quem estaria aqui, em sua casa, e até me surpreendi com uma ou outra presença.

Cheguei pouco depois de uma hora da tarde e meus tios Marcos e Marta já estavam aqui. Não esperava encontrar minha tia Jane e Priscilla nem que a Mari trouxesse o Áureo. Imagino o que minha avó fica achando quando conhece os namorados das netas. Talvez eu tenha sido a primeira a apresentar o meu, que na época era o Alan. Isso faz tempo. Nem o considero meu ex-namorado. Às vezes acho que não vou poder proporcioná-la uma série de emoções que os outros netos darão. Você sabe o porquê. Não quero ser explícita.

De certa forma, isso me deprime. Eu me pergunto se é isso mesmo o que quero. E é. Não precisaria ser, se meus pais não fossem como são. Mas é.

Perguntei à minha avó se ela ia dormir, já que estava deitada na cama. Ela disse que não. “Não?” “Não.” “Então por que está deitada?” “Pra não ter que ficar pra lá e pra cá.” Entendi. Agora olhei pra ela pra ver se estava dormindo. Ela olhou para mim e esboçou um sorriso. Parecia uma caveira. Uma caveira simpática. Amável. A minha avó. Uma caveira.

Sabe, toda vez que a vejo, uma hora ou outra sinto vontade de chorar. É inevitável. É só ficar sozinha com ela e observá-la um pouco. Pronto. Lá estão as lágrimas inoportunas que eu tento esconder. Vê-la chorando comigo seria desolador.

Perguntei a ela, há uns minutos atrás, se ela gostaria que eu ligasse a televisão. Ela disse que sim. Virei para trás, em direção à cômoda, e me espantei ao perceber que a televisão já não estava mais lá. Há quanto tempo não venho aqui? Sentei na beirada da cama e chorei.

19:42

Sonho de hoje:

Manu e eu estávamos fazendo um trabalho do técnico e só faltava uma coisa pra terminar. Não lembro o que era. Sei que tínhamos que ir comprar. Aí fomos até uma loja de produtos naturais. Chegando lá, tinham dois garotos na porta fumando maconha. Eles olharam para nós. Pareciam perigosos. Dentro da loja havia um piano e uma mulher distraída com algum tipo de artesanato. Compramos o que tínhamos que comprar e depois falamos com os garotos, porque precisávamos de ajuda no trabalho. Um deles aceitou nos ajudar, com a condição de ficar comigo ou comer o Manu. Nenhum de nós aceitou - óbvio - e fomos embora. Depois percebemos que realmente precisávamos de ajuda e voltamos ao garoto. Ele era baixo e tinha cara de marginal. Enrolamos ele, dizendo que daríamos sua parte depois que ele nos ajudasse. Ele aceitou e fomos para uma loja de brinquedos, onde havia muita gente. Um lugar seguro. Estava de noite e só tinha japoneses na loja. Tudo era branco - as paredes, o piso, a iluminação - e espaçoso. Aí ele nos ajudou e no final cobrou sua parte. Nos recusamos a fazer o que ele queria e fugimos andando, mas ele veio atrás. Continuamos andando rápido enquanto ele nos seguia. O Manu se encheu e foi resolver com o garoto. Brigou com o menino e bateu tanto nele, que achamos que ele o tinha matado. Isso foi numa rua deserta. Eu estava fumando, acho. Fazia muito frio. Então perguntei: “Você matou ele?” O Manu tava chorando. “Eu não sei”, disse. Aí nós tivemos que fugir por dois motivos: a polícia chegar lá, ele estar morto, e virem atrás de nós; e ele não ter morrido. Começamos a correr. Não sei ao certo em que etapa da nossa fuga a Fernanda apareceu. Nos perdemos do caminho, mas continuamos a correr até acharmos a tal loja de brinquedos. Ela tinha duas portas de entrada, uma em cada extremo, e precisávamos atravessá-la até chegar à outra rua. A loja estava quase fechando quando chegamos, o portão já se encontrava bem próximo ao chão. Abaixamos e nos arrastamos para dentro com certa dificuldade. Foi aí que percebi que o chão da loja estava coberto de neve. Continuamos a correr em meio aos japoneses e chegamos à outra porta da loja. Estava aberta, e logo em frente, na rua, tinha uma escadinha de cinco ou seis degraus. Na calçada, havia uma “família” de bonecas estilo bebê, uma de cada tamanho, e estavam de lado para nós. A escuridão da madrugada não nos permitia enxergar se elas se mexiam. Olhei para a Fernanda e perguntei: “Vamos assim mesmo?” Ela me olhou e balançou a cabeça que sim. Tinha medo nos olhos dela. Nós descemos e passamos correndo pelas bonecas. A rua era uma ladeira completamente escura e escorregadia. Caíamos o tempo todo, seguíamos escorregando feito beyblades. Não conseguíamos sair de lá. Em frente, havia uma subida íngreme coberta de gelo. O Manu foi o primeiro a subir. Certo tempo depois, a Fernanda também conseguiu. O caminho era como um corredor estreito e as paredes tinham relevos onde eu me agarrava. Enfim, consegui. No topo, havia um degrau que dava para uma abertura - uma porta (ou seria uma janela?) - e a luz vinda de fora me cegava. Quando saímos, o Manu tinha se transformado no Lucas. Segurei a mão da Fernanda, à minha esquerda, e logo o Lucas e eu estávamos de mãos dadas também. E, por um momento, ficamos ali, do alto, observando a paisagem. Tudo era claro e lindo. O céu estava azul, fazia frio, e haviam casas lindas. A rua mais próxima tinha uma casa de esquina com flores vermelhas por sobre o muro. Descemos dali e continuamos a fugir.

18:27

Ela sempre tá lá, de alguma forma, passeando pelo meu inconsciente, tocando em tudo aquilo que não tinha conseguido alcançar, bagunçando ainda mais a minha mente. Ela sempre tá lá, flutuando, vagando, dançando entre meus pensamentos, entre uma dúvida e uma conclusão, entre uma lembrança e uma fantasia minha. De uma forma ou de outra, ela tá sempre lá. Sempre.

17:51

Quanto mais eu sei sobre você, mais certeza tenho de que não te conheço.

17:50

Um sonho sem sentido.

Eu estudava com algumas pessoas conhecidas. Usávamos camisa branca de botão e saia azul marinho até o joelho. Para os meninos, calça da mesma cor. A minha escola era também um shopping: um prédio alto com salas de aula e lojas. Três ruas depois da escola ficava a casa do Raul. Ele morava com o pai, que não tinha nada a ver com o pai dele de verdade; tava mais para o pai do Mano, em “As Melhores Coisas do Mundo”. Atrás da escola tinha uma casinha que era a cantina e ao seu lado havia a entrada para um estacionamento.

Eu voava. Nunca por cima da escola, porque era um prédio muito alto, e voar até o topo me cansava. Voava para cima até uma certa altura - a qual eu tinha certeza de que não me veriam - e depois seguia pelas laterais. Voava procurando a tal porta branca de madeira - que dava para a casa do Raul. A “rua” onde ela ficava era um túnel marrom, estreito como um corredor, onde ficavam entulhadas várias coisas fora de uso. Encontrei a porta e virei a maçaneta. Ela se abriu, mas do outro lado havia uma parede.

Eu subi e voei mais um pouco, até chegar no último túnel, que ainda fazia parte da escola/shopping, e, na esquina dos fundos havia uma loja de roupas que pertencia ao Renan. Fiquei sabendo que ele havia se dedicado totalmente a confecção de roupas, criando estampas e tudo o mais. Aí ele conversou comigo e falou sobre as camisas. Tinha uma cuja estampa era o rosto do Dave Grohl em vermelho. Gostei dela. Foi a que ele me deu. Fiquei muito feliz e o abracei de forma calorosa. Quis que ele fizesse o mesmo.

Atrás da escola tinha uma praia, pra onde eu estava muito a fim de ir. Comentei isso com o Raul mais tarde. Quando cheguei em frente à escola, estava na hora da saída. A Jennifer esperava alguém para ir embora e usava uma blusa com alguma frase montada inteligentemente usando números. Ela dizia que a estampa era estranha e isso era um convite pra que as pessoas se aproximassem e falassem que estava maneiro. Aí ela diria “eu que mandei fazer”.

Eu também comentei isso com o Raul, que agora me servia de apoio e estava encostado na parede, sentado no chão em alguma elevação da calçada. Ao lado dele, e de frente para mim, estava o Renan, meio segurando vela, meio falando com a gente. Incrível como eu pude ter desejado duas pessoas num mesmo sonho. Isso porque a Carina não apareceu nesse sonho, mas no anterior.

O Raul e a Giulia tinham terminado o namoro, e agora ele e eu estávamos retomando o fluxo de uma forma bem natural, sem esforço, apenas fluindo, como se nunca tivesse sido diferente e não houvesse outra forma a qual pudesse ser. Lembro que quando fui mostrar a blusa do Dave Grohl pro Raul, a estampa tinha se transformado em algo completamente infantil: uma menina achatada e morena e uma árvore ainda mais achatada. Ambos não faziam sentido algum e o Renan não estranhou nem um pouco.

Ah, e tinha um colete jeans que ia quase até o joelho com aquela gola… - como chama? Pólo? - e alguns broxes avermelhados na parte de cima. Eu o usava fechado por cima do uniforme, o que era proibido. Eu gostava de ir contra as regras.

16:49

Tentei. Ao menos uma vez na vida, eu tentei.

February 5th
20:27

nota de um domingo de praia:

Hoje quando tava esperando meu tio e meu pai pagarem o estacionamento do shopping, eu fiquei ao lado deles na fila, só divagando. Comecei a chorar. Bem, se você me conhece, provavelmente sabe de quem eu estava me lembrando. Mas, de alguma forma, eu gostei disso… Acho que tava precisando.